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Partilhar Poemas :  sobre o amor
 
Que me ceguem as tardes
Que me roubem a alegria ao subir da estrada
Ou que todos os bichos me visitem quando estiver a fazer amor
Se esse amor não tiver contornos de uma rosa

Eu amo uma mulher
Uma epopeia de ventos e sóis
Uma árvore que cresce no sentido dos meus pulmões

Pergunto:
Tenho a janela aberta, será que dói?
Quem tem gramática para compreender o implacável silêncio?

Aqui estou de frente ao tempo invisível
A dar-lhe palha por uma fechadura
Multiplicando abelhas para sermos muitos mais que um Desejo

Que a minha loucura seja tabaco de enrolar
Que a solidão seja o espelho em que me olho e não veja porra nenhuma!
Amo as coisas que se formam no precipício da carne
Os azuis tão inocentes de um nada
A claridade que bate e perfura o mais íntimo de nós

Eu digo: a minha cabeça é um rebanho de ovelhas
O meu corpo: o pastor que se perdeu no pasto
Pena é que a lucidez não se beba por um copo
Nem que a verdade aceite fiado
O amor é aqui e agora: pele contra pele
E não sequer pensar que futuro é
Para a semana que vem

Amo sem nunca ter assinado contrato
Sem nunca ter ido a uma biblioteca
Ou escutado a dor em greve de fome
Crio o vazio e nele creio
Como creio na libertação das minhas mãos
No barro que moldo as manhãs primordiais

Amo o analfabetismo do meu sangue
Amo os insectos que me esperam no caminho
Amo o cansaço com que me deito
Amo e sou feliz nessa contradição

Posso até ser a morte viva
Um lápis à espera de ser aparado
Mas amo! Amo!
Amo e canto a serenata no hall do silêncio
e faço sexo com o meu nariz!









meu blog:
www.teoriadoscalhaus.blogspot.com

minha casa (em obras):
www.flavio.blogtok.com

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flavio silver
Autor flavio silver
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Data 22/02/2010 22:07:18
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a estrada termina onde a solidão não teme
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farto de ser o pateta
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
josetorres
Publicado: 22/02/2010 22:11  Atualizado: 22/02/2010 22:11
Colaborador
Usuário desde: 28/2/2007
Localidade: Minho
Mensagens: 6109
Online!
 Re: sobre o amor
Excelente meu velho. Sempre a rasgar novos rumos para a palavra e a meter neles o nariz.
Bom demais para ser verdade.
Gostei imenso camarada de mil viagens.

Enviado por Tópico
Carolina
Publicado: 22/02/2010 22:37  Atualizado: 22/02/2010 22:38
Colaborador
Usuário desde: 04/7/2007
Localidade: Santo Tirso
Mensagens: 3587
Online!
 Re: sobre o amor
O flávio no seu melhor, mesmo analfabeto, parabéns.

um beijinho

Enviado por Tópico
Alexis
Publicado: 22/02/2010 22:38  Atualizado: 22/02/2010 22:38
Administrador
Usuário desde: 29/10/2008
Localidade: guimarães
Mensagens: 6964
Online!
 Re: sobre o amor para flávio
este sujeito poético ama.e tu escreves.e de que maneira.

adoro passar por aqui.nunca me arrependo.

abraço

Enviado por Tópico
AnaMartins
Publicado: 23/02/2010 00:31  Atualizado: 23/02/2010 00:31
Colaborador
Usuário desde: 25/5/2009
Localidade: Porto
Mensagens: 1973
 Re: sobre o amor
Metafisicamente falando, que estrondo de poema!

E sim, ama porque nem todos têm essa capacidade e/ou possibilidade!

Beijo do Puerto!

Enviado por Tópico
MariaDeCarvalho
Publicado: 23/02/2010 06:50  Atualizado: 23/02/2010 06:50
Colaborador
Usuário desde: 11/3/2009
Localidade: Suiça
Mensagens: 533
 Re: sobre o amor
Excelente Poema,
Qualidade irrepreênsível,
Emotividade no ponto...
Arte...

Prazer em ler,

Até breve,
Maria

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)



Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)