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Cosmogonia (Jorge Luis Borges)

 
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Nem treva nem caos. A treva
Requer olhos que veem, como o som.

E o silêncio requer o ouvido,
O espelho, a forma que o povoa.

Nem o espaço nem o tempo. Nem sequer
Uma divindade que premedita

O silêncio anterior à primeira
Noite do tempo, que será infinita.

O grande rio de Heráclito o Escuro
Seu irrevogável curso não há empreendido,

Que do passado flui para o futuro,
Que do esquecimento flui para o esquecimento.

Algo que já padece. Algo que implora.
Depois a história universal. Agora.


Jose Luis Borges, poeta argentino,(poema traduzido por Héctor Zanetti).

Imagem: Vincent Van Gogh - The sower.
 
Autor
AjAraujo
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