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Poemas : 

Antigas Traições

 
Malha a bigorna o coxo Hefesto
enquanto remói
o ciúme e todo o resto.

Maldito Ares (!), vocifera.
Maldita besta-fera que trouxe o gozo para Afrodite,
amante insaciada,
qual fêmea alucinada.

Deuses! É hora da justa vingança
(nela repousa a última esperança).
Expulsemos a febre malsã, de todo amanhã.

Que se exponha à censura, a vergonha do adúlteros.
Que lhes cessem toda mesura,
pois eis que traíram o sonho,
que ao ferreiro permitiram.

Que gemam cativos na rede dos mortos-vivos.
Que peçam clemência pelo estupro da inocência.
E que implorem por um gesto de nobreza,
pela impudica paixão acesa.

Que nada mais se lhes conceda,
pois macularam o Olimpo.
Que morram como os mortais,
e que Hesíodo, para sempre,
oculte os imorais.




Lettré, l´art et la Culture. Rio de Janeiro, outono de 2015


Sentir-me-ei honrado com a sua visita em minhas páginas, nos links abaixo:

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Blog - Versos Reversos

 
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FabioVillela
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 01/04/2015 08:03  Atualizado: 01/04/2015 08:03
 Re: Antigas Traições
Que estrondo, Fabio Renato!
Este poema entra forte em meu ser.

Muito bom!
Grata pela partilha

Abraços

Enviado por Tópico
Juvenal Nunes
Publicado: 14/05/2016 10:27  Atualizado: 14/05/2016 10:27
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 Re: Antigas Traições
Quanta inspiração neste seu poema, Fábio. Mas a condenação que o envolve transporta-me para Jesus que libertou Madalena de sete demónios que viviam nela e a livrou de ser sacrificada pela lapidação.

Juvenal Nunes