A vida exige cor
do meu cansaço
Então deixo
que o esgotamento
pingue lento sobre o chão.
Cada gota, um pigmento
improvável
O azul que nasce
do que não dorme.
O vermelho que pulsa
mesmo sem fôlego.
O amarelo que insiste
num canto quase mudo
E quando vejo, meu cansaço
vira quadro; um borrão vivo
que respira por mim
Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.
Leminsk