As noites me parecem mais frias e distantes
As pessoas se esqueceram de olhar ao alto
De ouvir e sentir como os primeiros amantes
Caminham concentradas atentas ao asfalto
As estrelas antes sorridentes escreviam no céu
Versos que sopravam suaves e úmidos no colo
Descoberto dos que sabiam saborear o seu mel
Numa troca secreta que dispensava um protocolo
Mas elas não escrevem mais...
Em algum lugar quem sabe numa dobra do tempo
O perfume das flores ainda tenha o antigo poder
De desenhar um sorriso mesmo que por um momento
De trazer um carinho de fazer da noite um amanhecer
Talvez elas escrevam ainda...
Devem existir escondidas na neblina da madrugada
As juras escritas na pele uma a uma sem pressa
Até que o corpo brilhe como deve ser a noite estrelada
E num suspiro prolongado você aceita e confessa
Talvez tudo esteja lá basta que reaprendamos a ler
Deus abençoe as palavras de amor
Carlos Correa