Poemas : 

O homem que pintou o céu

 

O homem subia devagar

com o azul a escorrer dos dedos.



Cada gesto seu era uma pergunta

que o universo respondia em silêncio

como se a luz fosse

um fruto que só amadurece

no silêncio.



O homem tocava o ar

e o ar acendia‑se.

Uma pequena febre de cor

trémula

no limiar das nuvens.



Ninguém sabia o nome do homem.

Mas as aves pousavam nos seus ombros

como se reconhecessem a origem do voo.



Alguns juravam que ele não existia.

Que era só o modo

como o mundo se imaginava a si mesmo.



Mas havia noites

em que uma linha de luz atravessava o escuro

como um pensamento inaugural.



E então compreendíamos.

Não era o céu

aquilo que ele pintava.

Era o invisível

a tentar aprender a ser mundo.







 
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idália
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