Poemas : 

Sobre o fim das coisas

 
vou falar de amor
apesar das mãos no chão
e dos corpos caídos
segundo a fórmula constante
do pau que desce diligente e forte

vou falar de amor
apesar do frio das grades
dos olhos espantados nos interstícios quadrados que separam o dentro e o fora

falar de amor como asas
magoadas de mães

apesar da liberdade pequenina do burguês cioso

de amor, afinal,
apesar do sangue inicial
vertido na lágrima de uma criança final.



 
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gillesdeferre
 
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