vou falar de amor
apesar das mãos no chão
e dos corpos caídos
segundo a fórmula constante
do pau que desce diligente e forte
vou falar de amor
apesar do frio das grades
dos olhos espantados nos interstícios quadrados que separam o dentro e o fora
falar de amor como asas
magoadas de mães
apesar da liberdade pequenina do burguês cioso
de amor, afinal,
apesar do sangue inicial
vertido na lágrima de uma criança final.