De ti guardo o eco
a crescer
num corredor sem portas.
E cada passo que dou
é só mais um círculo
dentro do mesmo círculo.
Dói-me esta clareza afiada
esta lucidez que não perdoa
que ilumina demais o que eu queria esquecer
e me obriga a ver
o que ainda te pertence.
Procuro a saída
com as mãos estendidas
mas descubro que o labirinto
não é feito de muros.
É feito de memórias.
E memórias não se derrubam.
Atravessam-se.
Talvez a porta esteja
onde a dor afrouxa
onde o peso se transforma em gesto
onde o que sobra de ti
deixa finalmente espaço
para mim.
E quando eu lá chegar
não será fuga.
Será retorno.
Não a ti.
Mas ao que restou de mim
depois de te perder.