Tudo são passos. Passei mais tempo no passado do que no futuro, a pensar nesse mesmo passado. Pressentes os presentes. Estudas os pés, estugas as passadas, ou paras. Estar parado é, também ele, passado. Rés a ti. Rente. Há o que já não se sente, que estruturas em algo que futuras. Sempre o agora. O momento que é um presente envenenado e passado de validade. Verdadeiro e sem verdade. Tudo são passos. Passarei a dar e a receber, muitas vezes, em várias contas de somar. Mais ainda, de me dividir. Dou, na ilusão do ter. Nada tenho, transmito. Estranho mito. Recebo. Uma gordura mole que me lubrifica e escorre, devagar. Onda gigante, ante o que me sonda. O que adquiro, obtenho, gruda-se a mim, são passos. Como tudo.
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.