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Poemas : 

deu branco

 
Tags:  papel sem papel  
 



neveo
deserto

sem vento para
enrugar a pele

sem sol
para queimar o branco

sem doa-dor
que entregue
pranto

sem mãos
que borde
manto











nada muito complicado... como atirar pedras em lagos

 
Autor
MarySSantos
 
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Enviado por Tópico
Jorge/Joel
Publicado: 01/07/2020 00:01  Atualizado: 03/07/2020 17:25
Subscritor
Usuário desde: 02/06/2020
Localidade:
Mensagens: 329
 Deus é branco !



Deus é branco e está morto,


E ele parecia toda a gente,
Fundo branco, fumo negro,
Deus não vive, está morto,
Fluído branco, lenço negro,

Deus é preto, o milagre é
Verde e eu no sentir voar
Um tontura, que ele nunca
Teve por missão viajar como

Eu, fumo branco, fogo grego,
Brigadeiro herege de Katmandu
(...)





Enviado por Tópico
ALFA
Publicado: 01/07/2020 23:59  Atualizado: 01/07/2020 23:59
Colaborador
Usuário desde: 14/04/2015
Localidade:
Mensagens: 908
 Re: deu branco
Dito com esta simplicidade
Em nada fica por entender
A agudeza da racionalidade
Dará sempre maior prazer.

Beijo

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 02/07/2020 10:49  Atualizado: 02/07/2020 16:51
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1905
 Re: deu branco
Vou começar por números.
Toda a língua do universo é numerável. Matemática.
O teu poema tem 2 "...sem...para..." e 2 "...sem...que...".
Um poema sobretudo de sem. De falta, ausências.

O primeiro dístico é desértico. Mas como a tundra. Além de não ter vida é gelado. A minha visão do inferno é uma estadia numa prisão (na solitária) na sibéria.
Bela imagem, contudo.

O vento enrugaria a pele na segunda estrofe. Daria experiências intensas, revolucionaria, o vento, e as rugas como marca, cicatriz.

O sol, daria vida e cor. O branco é quase ausência, associado à pureza, que nojo!

"...doa-dor..." é quase um pleonasmo. Para que a dor doa, basta ser. Para doar a dor, é impossível. A partilha é sempre desigual. Talvez nos sonhos o doador doe, e alguém receba.

A última estrofe marca o manto, bordar pode ser por na borda, pode ser dar brilho, adornar.
As mãos têm um sentido metafórico tão gigante que precisaria dum tratado para tratar dele, mas nas tuas mãos o poema esteve bem.

Favoritei.

bj