O PATRIARCA
Cadeira de balanço em vai e vem,
O velho olhava o gado engordando…
Mantinha o semblante venerando,
Embora com um certo ar de desdém.
Por grão senhor de terras, mal ou bem,
Se acostumara a ter, de quando em quando,
Com homens e animais voz de comando,
Tratando os outros como lhe convém.
Nem esposa nem filhos, salvo engano,
Jamais lhe ouviram tom mais abrandado
Diante d'um dissabor quotidiano
Sendo mesmo dos seus distanciado
Passou a vida como um soberano
Temido demais para ser amado.
Manhuaçu - 13 10 2026
Ubi caritas est vera
Deus ibi est.