sobretudo os teus olhos negros
esquivos,
o teu corpo furtivo como fosse sempre noite
a lua que não te deixa
essa luz de prata que se redime no teu rosto de sombra
a silhueta egípcia quando um mistério invisível absorve a tua atenção
e desapareces,
num segredo de sarcófago
um vento inesperado interrompe a pirâmide da noite
e tu regressas sob a luz amarelecida do candeeiro de viela,
saciada de auspícios,
e outra vez como fosse um menino espreitando entre as cortinas
as asas encolhidas de um corvo que dorme.