poema em jeito pedante.
"Não sei, disse, se em qualquer que seja a operação interpretativa, não devamos, metodologicamente e a rigor, zerar, digamos assim, qualquer saber e conhecimento pré-estabelecido. A transparência do sentido não pode ocorrer fora do significado estrito e unilateral das palavras. Qualquer conexão entre elas regular-se-á, exclusivamente, pelas regras gramaticais.
Por outro lado, visto deste modo, o sentido puro parece fechar-se entre quatro paredes, auto-asfixiando a sua necessidade expressiva de raiz, assim como sufocasse o próprio solilóquio em que vivemos a maior parte do tempo. A unidade transcendental do ser só existiria, neste caso, a partir da divindade. O escape do Pensamento para o cálculo, para a lógica e para o discurso, revela a sua natureza não "homo-sapiens"."