Poemas : 

A acústica das ruínas

 


Há casas

que continuam depois da parede.

Não inteiras.

Não visíveis.

Somente a sua inclinação

dentro do silêncio.



A linguagem falhou.

Trocou de sombra.

Ninguém a pronuncia.



Alguma coisa regressa.



Talvez o lugar onde a ausência

aprendeu a ecoar.



Talvez uma música

ou o lugar onde a música abandona os objetos.



E qualquer coisa

muito ao fundo

continua a cair

sem altura.



Toda a ruína

escuta.





 
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idália
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