https://www.poetris.com/

01/03/2019 “Dá-me-uma-tusa”
Jorge-Santos

Subscritor

A sonhar não precisa de trela,
Deixai-o e ele voltará célere …


“Dá-me-uma-tusa”

Por vezes me dá tédio o que vejo e leio, talvez o meu córtex cerebral seja deveras e reconhecidamente excepcional e as sinapses neuronais funcionem atípicamente e sem paralelo com a maioria dos seres inteligentes embora elementares e limitados com que constantemente lido, salvo alguns, é claro, dirimidos numa web rasa constrangedora de ideais e castradora de intelectos. Parece-me absurdo um certo e fraca quiçá febril argumentação orientada a uma população maioritariamente inculta e adaptada a redes de capturar esquilha miúda e sem valor alimentar, outrora fabril mas agora dependente e sobrevivendo de boatos intencionalmente disseminados no tecido social que alguns erroneamente confundem com a web e as redes sociais, estrategas de manipulação de mentes que têm funcionado e estão deixando o mundo à mercê de ogres maquiavélicos e perniciosos para não dizer malignos. O mais triste é ter de lidar constantemente com tacanhez e desmérito, quer intelectual quer cível ao mais baixo nível, quer social quer modestamente humano mas sinto em mim uma determinação tão desmedida de desmontar ignorância e opróbrio que chega a rasar até o gozo sexual e genético.
“Dá-me-uma-tusa” confrontar imbecis e não me arrependo nunca, apesar de compreender o desnível civilizacional inerente a cada espécime humano e cada vez mais manifesto numa sociedade marchando para o feudalismo pseudo- especialista intelectual e para o fim de singulares ilusões filosóficas e do notável talento individual e especial para estarmos caindo uma sociedade generalista em que cada um autentica opiniões e genericamente opina sobre todo e qualquer assunto não fazendo a mínima ideia dos conteúdos que manuseia nem da matéria-prima de que é composto o seu raquítico córtex cerebral de primata ou coelho, sem desprimor para esse animal.
Claro que não quero, me dá tédio e nem vou discutir Schopenhauer ou Kant na paragem do autocarro amarelo e verde nem na consulta do dietista depois das folhas de couve e da banana às rodelas mas não me hospedem na boca absurdas palavras ou ideais misóginos no coco da cabeça que eu não quero e refuto veementemente e com toda a gana, entretanto dá-me uma excepcional tusa discutir com quem nem merece a minha peçonha quanto menos os meu mero e circunstancial entediamento sexual… “Dá-me-uma-tusa” ! (JS/JM)

 


Links patrocinados