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Algumas notas

 
Algumas notas



Um dia qualquer de um final de semana estúpido, nunca gostei de finais de semana. Todos viviam presos à semana inteira em seus empregos e universidades. E o final de semana era ilusório a ponto de se sentirem livre e normalmente nesses dias que recebia mais visitas. Seja qual visita que for, de quem seja. Poderia ser o Papa vindo direto do Vaticano em seu Papá-Móvel, ou o Lula em seu avião de milhões que receberia com um imenso desprazer. Sempre vinham de mão abanando e servia-se de tudo que tinha em minha geladeira; normalmente falavam dos seus empregos, das suas façanhas, das suas brigas. Diziam como se fosse o máximo, como se fossem especiais. Como se fossem os umbigos do mundo. O mundo esta repleto de pessoas assim, um bando de chatos. O mundo é uma grande merda. O mundo é nojento e não liga para você. E esqueça, você não vai conseguir limpar toda essa bosta, porque você é outra.

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Os dias ficaram difíceis e vivia mais bêbado do que nunca. Esqueci de pagar minhas contas e quando me dei conta, tive que arcar com as multas. Isso me levou a falência. Em um minuto tinha dinheiro e no outro não tinha um centavo. Torci para que também no minuto seguinte caísse um bilhete premiado na minha mão ou um piano sob minha cabeça, estilo desenhos encapetados da Disney. Mas a vida é mais maldita, traiçoeira e filhadaputa. Seria muito fácil morrer agora. Agora sem dinheiro, sem criatividade, sem esperança e mês que vem mais dividas. A vida chupava minhas entranhas toda manha, por toda minha vida. Ainda me restava a universidade, que não me interessava muito. Mas ainda tinha passes de ônibus sobrando para ir e voltar. E por lá, podia fumar a custa dos outros, por vezes, também beber. E sim, isso me interessava. E nesse dia não foi diferente, arrumei uma companhia agradável, uma leitora de poesias, falava e bebia pouco. Como ela estava pagando, resolvi acompanhá-la na medida do possível. Quando a mistura das bebidas e das palavras começou. Um carro com musicas berrantes estacionou e não se ouvia mais nossas vozes. Podia foder alguém, que ninguém ouviria. A musica começou do sertanejo e repetiu três vezes no creu, e dá-lhe no maldito creu. Aquilo penetrava em minha cabeça, aniquilando os neurônios que me restam. Resolvi ir embora, antes de matar alguém ou morrer. A lotação, dos suados, zumbis, felizes me aguardava.

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Com uma barba de 2 semanas
com um cabelo de 2 meses e
com contas de 2 dias vencidos
vou vivendo esperando o mundo desabar.





CB

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Carlos Bazesko
 
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Enviado por Tópico
Amora
Publicado: 23/03/2008 16:23  Atualizado: 23/03/2008 16:23
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Usuário desde: 08/02/2008
Localidade: Brasil
Mensagens: 4705
 Re: Algumas notas
A angústia de estar vivo para nada, muito bem expressa nesse relato.

E ainda surgem "creus" para nos infernizar ainda mais, como se o mundo já não fosse uma merda.

Gostei muito, foi um grito isso.

Amora