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Poemas -> Reflexão : 

Perguntei-te

 
e quando eu quis cantar
disseste-me que não havia vento
que me levasse a voz.
e eu calei-me.

perguntei-te de onde corria o vento.

disseste-me que os caprichos do ar
são tão ínvios e frágeis
como livres e ágeis são as ondas do mar.
e eu calei-me.

perguntei-te de onde escorria a água.

falaste-me das gotas cristalinas,
do orvalho.
das lágrimas que se precipitam
de madrugada, tão límpidas na verdura chã.

e quando eu vi as aves brancas, suspensas no escuro
como luminárias, falaste-me no voo luminoso dos pirilampos.
e eu calei-me.

de onde vem a Luz ? perguntei-te.

do Oriente da Terra ou de Ti.
na imensidão o centro pode estar
em qualquer lugar, respondeste.

 
Autor
Luis
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Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 28/05/2020 10:06  Atualizado: 28/05/2020 10:08
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 309
 Re: Perguntei-te
Um diálogo terno que nos conduz entre luminosidades, água e maresias.
Para cantar, que se cante com “vento” (esses “caprichos do ar”, “ínvios e frágeis”) para que a voz se propague chegando a mais ouvidos.

Do vento, passamos então para a água:
“como livres e ágeis são as ondas do mar.”

para as “gotas cristalinas/do orvalho”, para as “lágrimas”.

Para logo a seguir voltarmos a pôr os olhos no ar - desta vez observando as aves:
“aves brancas, suspensas no escuro”

A sua luminosidade sobressai e, através dela, surgem os “pirilampos” – também eles capazes de luminosos voos.

Mas todo o raciocínio é feito de saltos e, por uma última vez, saltamos, desta vez para a Luz:
“de onde vem a Luz ? perguntei-te.
do Oriente da Terra ou de Ti.”

porque a “imensidão” pode estar “em qualquer lugar”. Assim estejamos despertos para a (re)conhecer.
Gostei!