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| agniceu | Publicado: 09/02/2026 10:32 Atualizado: 09/02/2026 10:35 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/07/2010
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O “Te” deslocado
às vezes o amor é ditado com erros ortográficos, escrito no sítio certo, no tempo errado. é carta com data rasurada, pronta para emocionar o coração, longe do espaço torácico. amar-te é um erro que não se pode apagar com borracha de plástico. mas será que posso mudar o “te” de lugar, com sotaque, antes de amar? |
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| Benjamin Pó | Publicado: 09/02/2026 15:06 Atualizado: 09/02/2026 15:06 |
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Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
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Esta atividade não poderia ter começado de melhor maneira, com o belíssimo poema do Agniceu. Esperamos que venham muitos mais, para confirmar novamente que os nossos poetas gostam de desafios criativos. Fica aqui o meu contributo para o ebook: a luz começou em frestas estes braços nus descendem de asas e sobem por setas de serena luz que começa em frestas e se abre em aluviões de águas rasas e quietas que escondem brasas onde se enche a taça de um risco irracional como piões sem baraça à espera do momento em que os largará a mão num chão de cristal que se estilhaça ao primeiro movimento |
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| LucianoSpagnol | Publicado: 09/02/2026 18:30 Atualizado: 09/02/2026 18:30 |
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Membro de honra
Usuário desde: 17/08/2023
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PERDI-ME
Perdi-me na caução dos teus abraços Entre promessas Medos Laços Mas descobri-te ali Tão perto Vivo em mim Teu riso aberto Ah! Como é bom contigo estar Onde a paixão não foge Fica Entende Amor És tu A mais feliz das alegrias Se é ilusão Se é lenda antiga Que seja eterna Que seja cativa No teu olhar Meu dia Na tua voz O meu lugar Na escolha do querer Teu nome insiste Coração arqueja Nunca desiste Há mais que avançar Há tropeço e riso Intensidade que deseja Toque Arrepio preciso Teu brilho manso faz histórias Solta meus sonhos, areja Cria memórias Se o mundo duvida Deixa duvidar Tua mão na minha já sabe onde ficar. © Luciano Spagnol – poeta do cerrado 09/02/2026 |
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| Alpha | Publicado: 10/02/2026 17:50 Atualizado: 10/02/2026 17:50 |
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Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
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Mensagens: 2300
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Por te querer.
Por te querer o tempo se curva Silencioso o dia amadurece as horas aprendem a tocar de leve o mundo passa a respirar estreito a espera encontra sentido O risco vira travessia sem gráfico descalço, o medo atravessa a luz novas dimensões surgem no peito o futuro solta as direções mas permanece aceso A privação já não soa vazia o mar cabe inteiro numa concha a chama se protege do vento a dor reconhece o caminho e permanece. |
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| Alemtagus | Publicado: 10/02/2026 21:34 Atualizado: 10/02/2026 21:34 |
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Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 3920
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Ser Por louco sabor Ver Que sabe a pouco A dor A cor Amor Ardor Calor Que quer ver Beijar sem saber O tamanho do mundo O tamanho de um abraço Dos teus braços nos meus Dos teus lábios nos meus De dedos entrelaçados De olhares cruzados De tudo e nada Deixar-te ir E ser |
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| FragmentosdeSonhos | Publicado: 11/02/2026 02:23 Atualizado: 11/02/2026 02:23 |
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Super Participativo
Usuário desde: 03/07/2025
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Sérgio Godinho
"Às vezes o amor" Carta-poema Oi, amor, escrevo porque o silêncio virou o único lugar onde ainda posso te tocar. O tempo passou e o nosso encontro não aconteceu não por falta de desejo, mas porque éramos grandes demais para caber no mundo real. Cada verso foi um risco. Cada poesia, um mergulho sem volta. Você entrava nos meus olhos como quem reconhece um lar antigo, e o seu coração sabia, sem que eu dissesse, o som exato do meu nome batendo dentro de você. Não houve pele, mas houve vertigem. Não houve abraço, mas houve um incêndio inteiro que queimava só de existir. Nós nos amamos no limite. No impossível. No espaço onde a alma se despe e o corpo nunca chega. Talvez, se tivéssemos nos encontrado, teríamos nos perdido. Porque alguns amores não sobrevivem ao toque eles nascem para doer bonito, para existir apenas onde ninguém alcança. Eu te vivi em pensamento, em verso, em noites que não pediam manhã. Te amei sem defesa, sem futuro, sem permissão. E ainda amo. Não como quem espera, mas como quem aceita que certos amores não passam apenas se transformam em eternidade silenciosa. Se algum dia você sentir um aperto sem nome no peito,saiba: sou eu te lendo por dentro, como sempre foi. |
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| MarySSantos | Publicado: 12/02/2026 00:28 Atualizado: 12/02/2026 00:32 |
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Colaborador
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Não me arrependo - Caetano Veloso
até que arde arde o tempo, arde o beco, arde o que fui. entro como vento, saio como labareda incendiando o que me tenta abrindo fendas no escuro queimando o que insiste em me conter. a chama que se espalha dança cinza dança rubor dança rosa transforma o que toca e nos becos do tempo onde antes eu me perdia ficou rastros de fogo para que nenhuma versão minha se esqueça de arder. |
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| AlexandreCosta | Publicado: 12/02/2026 12:54 Atualizado: 16/02/2026 12:17 |
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Administrador
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Localidade: Braga
Mensagens: 1395
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"Às vezes o amor" - Sérgio Godinho
Às vezes acontece o amor às vezes o amor vem pela porta dos fundos e fica um mundo todo, no olhar que não sabe o que aí vem às vezes traz calor logo nos primeiros segundos e fica o peito a estalar em fogo já de alguém às vezes o amor vem em passadas mansinhas com chispas nos olhos vidrados a rebrilhar de janelas às vezes parece dor enquanto não lê entrelinhas até que os olhos cruzados se fundem com as costelas às vezes o amor vem no primeiro clarão e ficam os olhos perdidos e perde-se o coração às vezes o amor está diante de quem não sabe que o sente às vezes o amor acontece e outras morre na gente 12-02-2026 |
| Enviado por | Tópico |
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| Aline Lima | Publicado: 14/02/2026 03:21 Atualizado: 14/02/2026 03:26 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1115
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Porta Aberta O amor não chega. desloca. Uma casa cede um milímetro. Nada pede licença ao corpo quando a maré decide. A porta aprende sozinha o gesto de não resistir. Sal nos dedos. No chão, um resto de sol que ninguém recolhe. Fico diante dessa invasão de luz como se a madeira respirasse. Como se o teu rosto deixasse um risco na espessura do escuro. Nada faz ruído e, no entanto, o mundo é diferente. O pão demora na boca. A colher pesa O espelho falha em devolver o que eu era. Há um passo que avança sem sair do lugar. Outro que recua já dentro. O que passa não se perde. Permanece como forma alterada Amar é consentir na própria fome até que ela diga o nome do que falta. E quando o outro atravessa e parte, não somos inteiros, nem menores, somos o que ficou depois do medo. |
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| Rogério Beça | Publicado: 14/02/2026 12:11 Atualizado: 15/02/2026 01:48 |
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Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
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A tinta-da-china ("Não me arrependo" de Caetano Veloso)
Foi a tinta-da-china que escreveste no meu peito a tua ira. Disseste ser poema, luto, mentira, que eu aceito que se imagina quando dói. Arranquei do couro, da carne, do osso, mas ainda tinta o aparo. Esse tom claro que talvez só eu sinta no fundo do poço, é tesouro. Foi a morte certa porque na minha terra o arrependimento mata e berra. |
| Enviado por | Tópico |
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| klopes | Publicado: 15/02/2026 19:48 Atualizado: 19/02/2026 16:08 |
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Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
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Acerto de Passos
A luz rasga as frestas, agride o ar parado da sala, acorda o pó. Sem aviso — ardeu. A paixão é um fósforo no corredor onde o escuro era hábito. A chama demora-se nos dedos, e eu deixo. Tropeçamos no mesmo degrau, desaprendemos o equilíbrio. Acerto o passo contigo quando o chão vacila, quando o ritmo falha. Alargamos as paredes, comemos o mofo das esperas. Forçamos o encaixe: pele contra cal, até que o quarto aprenda a pulsação do nosso sangue. Se o amor não é eterno, porque insisto em polir a pedra, em atiçar o lume? Porque te deixo as chaves daquilo que sempre tranquei? Construo o telhado sabendo que a telha estala, que o bicho rói a viga, que a chuva há de entrar. Ainda assim, levanto paredes. Ainda assim, invento janelas. Que venha o vento. |
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| AlexandreCosta | Publicado: 16/02/2026 12:16 Atualizado: 16/02/2026 12:16 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
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"Não me arrependo" - Caetano Veloso
Contr(ad)ição se arrependimento matasse diria das mãos mais vivas a contrição descontraída o nunca é tarde que poderia ter sido mais cedo que a morte que me deste era mais vida que viver que só morreu quem não sabia quem não tinha ainda o gosto do fogo a queimar como quem refresca e uns olhos teus olhos a vibrar nas pétalas do beijo orvalhado de sóis sóis de girar no mesmo eixo um eixo um mundo um amor se arrependimento matasse viveríamos o calor precoce como quem nasceu ali no instante de começarmos só me mataria o arrependimento se as mãos não soubessem dizer quão vivo sou quão vivos somos 16-02-2025 |
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