O homem levantou torres de vidro,
Que tocam o céu com dedos de aço,
E nelas acendeu constelações elétricas
Para não esquecer que ainda sonha.
Inventou caminhos invisíveis,
Feitos de ondas que atravessam o ar,
Para que vozes viajassem mais rápido
Que os próprios ventos.
Domou a distância com trilhos e asas,
Riscando mapas que não cabem na pele da Terra,
E lançou foguetes para além da noite,
Como quem pede respostas às estrelas.
Prolongou a vida com ciência,
Costurou feridas com luz e bisturi,
Mas ainda busca no silêncio dos corredores
A cura para a solidão.
E mesmo entre máquinas que pensam,
Olhos que veem o invisível,
Mãos que constroem o impossível,
Há uma maravilha maior:
A poesia que insiste em lembrar
Que somos humanos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense