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CORAÇÃO INTERMITENTE

 
Tags:  amor    poesia    incerteza    receio    hesitação  
 

O amor chega
como chuva breve de verão
molha a pele
perfuma a terra
e parte antes que o coração
aprenda a respirar sem medo

Ama-se em intervalos
Num dia, entrega-se o universo
em gestos pequenos
um olhar demorado
uma mão que fica
um silêncio confortável

No outro
erguem-se muralhas repentinas
portas cerradas
distâncias inventadas
para proteger cicatrizes antigas
que ainda sabem sangrar

É apenas um coração
que já caiu vezes suficientes
para aprender
que até a ternura
pode ter espinhos

E talvez o amor verdadeiro
não seja aquele que exige certezas
mas o que permanece
mesmo diante das hesitações
paciente como o mar
que insiste em tocar a areia
mesmo sabendo
que ela recua.

Mário Margaride
13-05-2026


Adoro a poesia. E tal como um pássaro, voo nas asas das palavras, no patamar do meu sentir, e das minhas emoções.

 
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MÁRIO52
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