A história é aquilo que o leitor consegue acompanhar: o que está a acontecer?
É a sequência de acontecimentos, imagens e ações que permitem ao leitor entrar no poema e seguir o que nele se passa.
A tese é aquilo que o autor quer que o poema diga: o que significa isto?
É a ideia, a interpretação ou a conclusão que está por detrás daquilo que acontece.
Compreender a história, portanto, não é o mesmo que compreender a tese. O leitor pode perceber perfeitamente o que está a acontecer sem perceber imediatamente o que tudo aquilo significa.
E é precisamente nesse espaço entre a história e a tese que a poesia acontece.
O poema não precisa de entregar a tese ao leitor, nem de explicar diretamente aquilo que deve ser compreendido. Pelo contrário: precisa de lhe dar matéria suficiente para que ele próprio possa descobri-la.
O poeta não entrega uma conclusão pronta. Em vez disso, constrói as condições para que essa conclusão aconteça dentro do leitor.
Assim, a poesia não está apenas naquilo que o poema conta, nem apenas naquilo que o autor quer dizer. Está também na descoberta que o leitor faz ao atravessar o espaço entre uma coisa e outra.
“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”