O arraial junino animado, Varias brincadeiras apresentando-se: abrindo um tambor de crioula mirim, que o pensou ser o de seu Riba, o camaroeiro do mercado e deu um pulo lá, ficou decepcionado, em seguida uma dança portuguesa, outro tambor de criola (esse sim dele, mas o poeta assistia Monk), um cacuriá do Alto Esperança, um boizinho do Anjo da Guarda de orquestra – outro filme “O perigoso Davies -the last detetive” e um pouco antes de Monk, um pouco de “Monsenhor Quixote” do mestre Green com Alec Guiness e Leo Mckern – maravilha leio o livro de vez enquanto – Não gostei dessa dipirona com cafeína, não faz o efeito desejado, deixando minhas narinas anestesiadas.
_ Hoje aqui temos apenas quarenta minutos – avisa o cantador e o amo do boi.
De volta a leitura de “Fator Humano” de Greene, talvez eu tome um terceiro dip com cafeine – Uma coisa é certa, amanhã sem falta vou comprar o Tanduo”, não se pode brincar com a saúde, principalmente com essa danada da próstata.
O boi do Anjo da Guarda se despede e entra outro Cacuriá de Dona Sandra.
- Vamos aplaudir, diretamente do Residencial Paraiso, o Cacuriá de Dona Sandra – anuncia euforicamente o locutor – as icônicas canções da divina dama Dona Tété, a saudosa matriarca.
O boi Estrela da Cohab aquece os sopros e metais – o amo conserta a garganta: - Vamos maestro CHAMA! O estrela chegou... e eu capotei.
Friday, 25 de junho de 2026
Os pombos passeiam na calçada da pensão. O horizonte avermelha-se ou alaranja-se – As bandeirinhas enfeitando a rua na descida. No radio, uma senhora dona de um bar lamenta o arrombamento de seu estabelecimento, fizeram um raspa no seu estoque. Pobre, quantas vitimas iguais não estão chorando por ai? O gato Tom levanta-se de sua caixa emplastada ao ouvir o latido de um cão na rua.
- Seis horas e seis minutos – e aos poucos, mas sempre o sol emerge lentamente com seu esplendor e nenhuma nuvem fulera para atrapalhar o belo espetáculo -coloco os óculos escuros que ganhei do meu filhote no pós operatório da catarata em 2013 para contempla-lo melhor. OM – Alah-u-Akbar – repito da minha janela em sua direção.
O casal de carroceiros que tanto admiro – ela sentada no varal e ele puxando a mula pelo cabresto, levando os andaimes para Seu Asterix nomeio da ladeira da avenida Sarney Filho. Travando conhecimento com seu Vicente, um novato na área, morando com a ex-senhora Cabeção. Caboco do Araçagi, descendente dos migrantes cearenses fugitivos da grande seca do começo do século XX – Uma aprozelam ou melhor a ultima metade dela para abrir as portas das percepções. Encontrei-o na saída da padaria do sr. Cohen na Praça das Sete Palmeiras e descemos juntos. Parece ser um bom rapaz.
Mama Telma contratou novos ajudantes, entre eles Javali – os parceiros não apareceram e ela quebrou o cabo de vassoura na cabeça do filhote que amanheceu grodeado, pegou dinheiro e não mandou para a mulher no interior. Ela também uma gorotinha para aquecer a moçada. C’est la vie de la village Embratel!
Meu velho e bom Desterro! – Praça do Pescador. Subirei a rua da minha aurora, a boa rua Afonso Pena/Formosa, passarei em frente ao 503 – onde meu cordão foi enterrado no dia 19 de dezembro de 1960. Atravessei as pistas e urinei no velho mercado do peixe e encontrei aleatoriamente com seu Lico.
E a minha rua deserta e lúgubre, sem aquela dinâmica do passado que sempre me encantou -os teares da fabrica de fio, os compressores das fabricas de gelo, as serras da serraria de seu lobato “Deturparam a tua paz / Madeira é serrada dia a dia/ Os tecelões tecem o tempo/ A vida passa sem bater o ponto final” os comércios fervilhando de impávidos clientes, a rua que pulsva na minha alma juvenil. O esgoto sempre trasbordando, a tapera do abandono no estacionamento da Cibrazem, o sobrado dos Alonsos desabando – Paro “Torneadora Desterro – 5 ton” na antiga oficina dos irmãos Boaventuras Furtados no canto do Beco Feliz.
Uma parada na icônica mansão da finada socialite Dadá Pinheiro da Costa, hoje pertence ao velho conhecido que herdou do irmão medico e fazendeiro dela – O poeta o conhecera na época do Juizado, ele trabalhava na mercearia de sua chatérrima sobrinha que o humilhava – foi amizade a primeira vista. O caseiro foi chama-lo, se reconheceram e o poeta ficou de voltar outra vez – “as portas estão abertas” disse o bom seu Lino, já um pouco cagibado pela idade, mas ainda lucido.
A dinâmica da efervescente rua grande numa manhã de sol. O poeta comprou um genérico bem barato do tanduo, e novamente deu com a cara no portão, a banca da seu Rui, onde iria comprar “Lucio Flavio, o passageiro da Agonia” fechado – pensou no sebo do Arteiro na rua do sol – mas concluiu que tanto ele como o Poeme-se de seu Riba na rua do Egito, são para leitores endinheirados e não para um pé rapado como ele – então embarcou num ônibus errado que seguia para a praia, desceu na primeira parada do São Francisco e apanhou outro que o deixou dentro do terminal da Praia Grande, não teve duvida deu um pulo na banca da Loura em frente e pasmem o que ele encontrou: “Ainda Resta Uma esperança” de Simmel, o livro que marcou a sua vida no começo dos anos 80 e junto com “Suspense Legal – Problema na Corte” de Lisa Scottoline e “Alguma Coisa Mudou” de Joseph Heller (nunca o leu) e tudo por quinze reais – Santo Deus, o homem foi ao paraíso literário – Aleluia. Bem abastecido em todos os sentidos – almoçou os restos da torta de camarão e do churrasco do Sr. Vince – e uma boa laranja. E meia hora ingeriu o primeiro genérico e ainda pouco dois dipi com cafeína – mas não bateu porra nenhuma – mas Chopin é Chopin.