Negras Nuvens
Nuvens negras gorjeiam nos meus ouvidos,
aves de rapina, borbulhantes,
que sobre lápides propagam seus gritos.
É único o olho que derrama
uma lágrima na fronte.
Porque a cama me é insuportável,
ao devorar pensamentos, me surpreendo;
mesmo que a morte seja aceitável,
somente um único olho
se perde no centro.
As linhas se cruzam em novelos;
inevitável é o seu achar perturbador,
o sangue que jorra como um apelo,
feito por dizeres
entre o medo e a dor.
Alexandre Montalvan