Poemas : 

Restaurante Trinca-Espinhas

 
À beira do Atlântico,
onde o vento antigo aprendeu a falar
com as rochas de São Torpes,
ergue-se o Trinca-Espinhas
como abrigo de memórias
entre o sal e o infinito num areal de solidão.

Junto a Sines,
onde as ondas escrevem segredos
sobre a costa,
há janelas abertas ao horizonte,
como se o mar entrasse devagar
para se sentar à mesa com os homens.

Ali, cada Alma traz consigo
a viagem das frias madrugadas,
o labor silencioso dos pescadores
e o perfume agreste do oceano.
Cada prato é uma história servida
com a simplicidade das coisas verdadeiras.

No coração desse lugar habita Ana Duque,
guardiã discreta de afetos e sabores,
mulher que conhece o nome dos ventos
e a paciência das marés.
Em suas mãos, a cozinha transforma-se
em casa, a hospitalidade ganha rosto
e a ternura persistência.

O Trinca-Espinhas não vive da espuma
que rebenta nos rochedos,
nem do sol que se desfaz ao entardecer
mas das conversas demoradas,
das saudades que regressam,
dos risos que ecoam entre os copos
e os silêncios daqueles que contemplam o mar.
Porque há lugares que alimentam o corpo
e enternecem a alma…

Junto às águas de São Torpes,
entre o azul profundo e a memória,
o Trinca-Espinhas permanece,
como um farol aceso na costa,
lembrando-nos que a verdadeira riqueza
é encontrar um porto
onde o coração deseja ficar.


(À queridissima Ana Duque e a todo o staff de um lugar onde o tempo e a memoria se sentam à mesa, convivem e penetram os corações de quem lá passa.)


Ricardo Maria Louro

 
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Ricky
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