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| Alemtagus | Publicado: 29/06/2026 20:09 Atualizado: 29/06/2026 20:09 |
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Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4389
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Não quero ser-te saudades Ou tampouco viver-t'assim Sem dar música ao poema E dessas doutas divindades Ser só esta miragem no fim D'um velho sol de Ipanema Lá tão longe voo eu contigo Nas asas de tantos mundos Nos braços vazios de gente Que choram de cada amigo Alguns abraços vagabundos A fazer um amor diferente Não quero ser-te mais nada Que não fosse pedaço de ti Ou pequeno verso cantado Na minha vida amarrotada Sonho do último dia que vi Brilho de teus olhos chorado |
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| Luxena | Publicado: 30/06/2026 02:31 Atualizado: 30/06/2026 02:31 |
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Da casa!
Usuário desde: 07/03/2025
Localidade: Brasília
Mensagens: 257
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Câmera, Ação
um par de olhos direto para mim só um pisca e... você sorri! não dá mais para sair essa tela listrada fitada por camadas de desprezo e um pouquinho de água ficou claro, não é um conto de fadas e como eu queria que isso fosse um sonho o meu pior pesadelo tem, sim, muito cabelo mas depois eu sinto pesados os olhares vigiando minha vida, do quinto andar não é para os fracos já passei do meio da rua e ainda estou de pé mancando |
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| SergioOliveira | Publicado: 30/06/2026 23:32 Atualizado: 30/06/2026 23:32 |
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Participativo
Usuário desde: 05/06/2026
Localidade:
Mensagens: 26
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O VERSO PERDIDO
Sergio Oliveira Um verso esquecido no aniversário, Nem lido ou sentido em voz, em canção. O adeus entre as páginas do diário, Silêncio ouvido no seu coração Andou, sem pedir, ao lado nas ruas, Refez o brilho perdido do olhar, Despertou ilusões minhas e suas E esse desejo esquecido de amar. Vai o vento, lembranças de uma idade, Vai o tempo nas tranças da saudade. Passado e presente em pedras na praia. Futuro ausente antes que o dia caia, Diz adeus no julho do calendário, Mesmo ausente, feliz aniversário! |
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| Liliana Jardim | Publicado: 02/07/2026 09:38 Atualizado: 02/07/2026 09:38 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4545
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Visto-me de flores, de giesta e de alecrim
Caminho descalça pela aspereza da calçada busco o eco da voz que o vento outrora levou na rocha basáltica escondo o desapontamento e no mar o sussurro ardente, que em mim ficou. A ilha palpita em mim como um segredo um jardim suspenso onde o tempo é ébrio quebra-se o momento que me fazia doer e na sua paz efemera sinto-me renascer Visto-me de flores, de giesta e de alecrim sinto o tempo passar para além da memória esta ilha de lava é o meu princípio e o meu fim onde escrevo no verso, a minha breve história Sou o eco de tudo o que guardo na alma um ecossistema de silêncios e de pressas procurando, no cerne profundo e calmo o sentido eterno de todas as tuas promessas Sou a ribeira que desliza, a pedra que sente trajo-me de orgulho, de desejo e de mar neste pedaço de terra que em mim se prende onde no meu peito continuo a querer versejar. |
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| Benjamin Pó | Publicado: 02/07/2026 11:42 Atualizado: 02/07/2026 11:42 |
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Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
Localidade:
Mensagens: 972
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poema número três até me arderem os olhos leio o poema número três do guardador de rebanhos não tenho janela nem campos em frente só páginas com tinta não sou pensamento sentimentos ou palavras só olhar faço um origami com a folha e a flor de papel na minha mão não pensa não sente não fala mas não olha para mim (inspirado em "Líquen", de Aurora) |
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| AlexandreCosta | Publicado: 02/07/2026 12:05 Atualizado: 02/07/2026 12:05 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1677
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"Emaranhanha" - Juliana Linhares Emaranado depois que nado vivo por nada nado por tudo nado tudo atrás é mar nadado e tudo à frente é mar a nado 02-07-2026 |
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| Alpha | Publicado: 02/07/2026 18:12 Atualizado: 02/07/2026 18:12 |
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Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
Localidade:
Mensagens: 2362
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Notar cada tristeza no olhar
Há uma tristeza que não faz ruído. Chega devagar como a luz que se despede e escolhe os olhos para permanecer quando já não encontra palavras. Há quem lhe chame apenas cansaço Há quem passe sem a reconhecer Mas nenhuma dor nasce de repente primeiro aprende a morar no silêncio Poucos sabem ficar nesse instante onde a alma fala sem levantar a voz Há ausências escondidas num sorriso e despedidas que ninguém vê partir Talvez amar seja essa delicadeza ver o que o mundo deixa passar Permanecer junto de uma ferida sem exigir que ela saiba explicar E quando tudo em nós for memória e até a saudade perder o caminho que reste a mais humana das ternuras ter sabido notar cada tristeza no olhar! |
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| Aline Lima | Publicado: 05/07/2026 03:45 Atualizado: 05/07/2026 03:45 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1200
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Agosto entre Colheres o medo é um cadeado que também tranca quem segura a chave a saudade desparafusa o mês da geladeira até agosto aparecer entre as colheres e espera que a gente a chame de lembrança a água aprende devagar a fervura o contrário do abrigo não é a chuva é achar que existe um lugar onde ela não caia |
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| Rogério Beça | Publicado: 05/07/2026 17:47 Atualizado: 05/07/2026 17:47 |
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Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 2325
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Indignação
Quem cala consente e o que consinto eu? Nesta fala sem gente sinto que algo morreu. Que é feito da minha coragem? Só a consigo com os meus olhos, que parecem cegos e não agem, nada veem prá além de escolhos. Que passo me falta dar, porque duvido? A falha que em mim trabalha fundo fica. E tudo o que faço é sentir-me perdido a olhar, num mundo em que se abdica. Quando dói mais, Quando nos toca é quando vais abrir a boca. A vez de correr a vez de agir, a vez de tudo fazer, a vez de ir. (Emaranhada) |
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| klopes | Publicado: 05/07/2026 20:03 Atualizado: 05/07/2026 20:03 |
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Muito Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 78
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Riso Emaranhado
Pela berma desta rua, A tristeza logo encosta, Veste a pele toda nua, Mas a gente não a atua, Pois a vida traz resposta. Neste asfalto duro e frio, O serviço é bem urgente, Contra o cinza mais sombrio, Coze o riso em desafio P’ra aquecer toda a gente. Amassa a massa do dia Com farinha de esperança, Leveda a fome do dia. E reparte em poesia O calor da vizinhança. Lavam todos o cansaço Neste gozo de lavar, Onde o peito, passo a passo, Desata o nó do cansaço Como roupa a pingar. Mesmo o pobre sem moedas, Leva a graça no avental, Sobe o riso por veredas, Pisa as dores mais azedas, Faz do frio pão e sal. Dizem vozes na calçada Que o menino traz no bolso Futuro em forma alada, Pequena chama guardada Contra o mundo mais revolto. Mas o riso foi silenciado — Calou-se a vizinhança, Todo o brilho amordaçado Sob o peso acumulado Desta gente sem esperança. (inspirado em "Emaranhada", de Juliana Linhares) |
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| AlexandreCosta | Publicado: 06/07/2026 09:58 Atualizado: 06/07/2026 09:59 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1677
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"Aurora" - Líquen Gosto de quem escreve e tudo o mais gosto de quem escreve bem mesmo sem letra bonita aquilo que a alma tem e tudo o mais que ela grita gosto de quem escreve o sonho e tudo o mais que dum poço olhos viram, não só suponho além da carne e do osso gosto de quem escreve a luz arrancada da escuridão e tudo o mais que da cruz ilumina o extremo da mão gosto de quem escreve e ama quem mais ama que escreve e tudo o mais dessa chama é mais palavra que ferve gosto de quem escreve a vida e tudo o mais que lhe sente quanto mais for sentida mais o poema é presente e tudo o mais é mais vida e tudo o mais mais se sente e tudo o mais é mais vida a todo aquele que o sente 06-07-2026 |
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| Liliana Jardim | Publicado: 06/07/2026 14:43 Atualizado: 06/07/2026 14:43 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4545
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O meu corpo é o mundo
O meu corpo é o mundo onde a chuva bate primeiro nas entranhas dos ossos escrevo como quem desenterra raízes antigas linhas duras que sustentam o peso de todas as estações. A minha pele nada esconde é um oásis exposto pelo mapa do tempo cicatrizes e rugas visíveis circunscrevem rios vivos por aonde ainda desliza o teu nome. Já não há dureza nestes músculos mas sim um cansaço visceral afundando os pés na terra barrenta pois sabem que esse é o seu lugar enquanto o peito sobe e desce num compasso eterno e poético. E o sangue corre sem pedir licença carregando os silêncios que a boca calou |
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| agniceu | Publicado: 07/07/2026 22:07 Atualizado: 07/07/2026 22:26 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/07/2010
Localidade:
Mensagens: 818
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A sede desfeita pela chuva Deixar o lume sem respirar mata o calor. Deixar o jejum à sede, desidrata a fome mais cedo. Que o diga o sem-abrigo, que desfalece com o frio e adormece como a chama, desardendo, parindo a cinza, noiva de luto. Mas nem tudo é mau: o seu teto nunca teve uma goteira, ao contrário dos seus olhos, paridos. No entanto, nunca se engravidou de um sonho olhando o céu. |
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| gillesdeferre | Publicado: 10/07/2026 17:20 Atualizado: 10/07/2026 17:20 |
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Colaborador
Usuário desde: 14/06/2024
Localidade:
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Líquen - Aurora
Princípio como se fosse para sempre este poema desvalido assinatura grotesca de eternidade chamando de tempo o que não tem nome gravar as horas todas na pedra de um desenho antigo no dia primeiro e horizontal. |