reparou na soleira ocupada
havia um degrau chorudo
e o cigarro apontado ao momento
consumia-se na calma consumada
combustão lenta de quem espera
sabendo da rua o outro lado
como se adivinhasse de uns olhos incertos
a certeza de um soslaio irreverente
quente o brilho a espremer-se ao lado de cá
seguiu de olhar atrás
fluiu, fulgiu, fingiu que não viu
sumiu
ninguém ousou a travessia
sabendo da ponte nascida
suspensa
26-07-2026