Poemas : 

Manual doméstico

 
Você aparece
como quem já deixou a escova no banheiro.
Não pergunta nada.
Abre a janela errada,
senta na cadeira que não era sua,
conhece meus hábitos melhor do que eu.

Há dias em que esqueço
se isso se mantém por acaso
ou por conveniência.

Você fica.
E ficar é um jeito discreto
de atravessar alguém.
Não dói.
Também não melhora.

O café esfria.
As horas fazem vista grossa.

E eu paro
de contar
o que se perde
aos poucos.

À noite,
não fecho a porta.
Não porque espero.
Nem porque confio.

É só que já me acostumei
a esse modo de estar acompanhada
por algo que nunca promete ir embora.

 
Autor
Aline Lima
 
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