No escuro
o corpo não mente
desaprende o nome
despe a biografia
e acende uma língua
que nenhuma boca conhece
há um altar erguido
onde os ossos se ajoelham
não se reza
a carne é quem inventa
o deus que a atravessa
toda cicatriz
guarda uma porta fechada
toda pele esconde
um incêndio
sem fumaça
quando amanhece
o espelho recolhe os restos
de um rito
que ninguém viu
mas que o silêncio
jamais consegue esquecer
Inconstante...
