Poemas : 

Pó e pedras

 


Não sem que olhes
mais uma vez
a janela perdida entre escombros.


Os teus olhos a arderem sobre o pó.
Os teus pés rasgados sobre as pedras.

[força quieta

quase sísmica]


Diante de ti
a realidade é agora
um mundo envelhecido de silêncio.


Não existem metáforas soterradas.


À distância
o tempo.
Parado.


Perde-se a infância
quando o tempo
longínquo
parado
desaba
sem aviso
diante de ti.


Cresces
quando o mundo te empurra
para dentro de ti.
Quando te fecha uma porta
e te deixa no lado errado.


Cresces
quando o mundo te obriga
a ficar de pé
entre ruínas.


À espera de que algum fragmento
ainda saiba dizer futuro.









 
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idália
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