Escreve-se o corpo
no intervalo das sombras
onde o silêncio arde
devagar
como quem aprende a respirar o nome do outro.
Existe um lume antigo
a crescer nas veias
um rumor de marés
que regressam sempre
ao lugar onde a pele se lembra.
Tocam-se distâncias.
Longas.
Febris.
Quase infinitas.
E nelas ergue-se o impulso
onda que não conhece fronteira
fome que se dobra sobre si mesma
até ser vertigem.
E quando a noite se inclina
há um gesto que persiste.
O de procurar
ainda
o que falta no espaço exato
onde dois silêncios se tocam
e incendeiam tudo.