Sonetos : 

MEIA IDADE

 
Tags:  SONETOS 2026  
 
MEIA IDADE

A pele que me veste as carnes vãs
Teve dias melhores já, eu penso:
Pareço atordoado-embora-tenso,
Em face da mesmice das manhãs…

No tráfego, atravesso horas malsãs,
Enquanto dos deveres me convenço.
Reconheço, contudo, algo pretenso
Em ver obrigações como vilãs.

Paro sem convicção para o trabalho
Como fosse uma espécie de espantalho,
A esperar no canteiro da avenida.

Ou se, a um momento meu de solidão,
Por fim me visse em meio à multidão
E passasse por mim toda uma vida.

Belo Horizonte - 02 09 2026


Ubi caritas est vera
Deus ibi est.


 
Autor
RicardoC
Autor
 
Texto
Data
Leituras
14
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
2 pontos
0
1
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados