[Entre as árvores]
Veja por entre as árvores despidas,
Contornos de recordações partidas,
Histórias construídas, derramadas
Em taças de vinhos jamais esquecidas.
Sentados à toa na beira de um rio,
Carregando passagens do tempo, infortúnio
Sem temer, sem esmorecer
Levemente selvagem ele segue a correr.
O tempo não espera por ninguém.
Não formalize alianças com os dias fúteis.
Sagrados são todos os segundos
Mergulhados nos instantes mais profundos.
Como apreciar os caules das árvores
Suas folhas abastadas
Mesmo as que se despem no inverno
Valorizam a paisagem
Comovente coração sempiterno.
Derrame-o agora, caminhando descalço
Sobre a terra crua entre as folhas
Caídas, lavadas no banho da última lua
Sua alma reflete no reflexo que não desvirtua.