Quando eu te abraço,
meu corpo aprende teu idioma
sem precisar de palavras.
Teu calor encontra o meu,
e nesse encontro
há uma chama discreta
que sobe devagar pela pele
aquece a alma e o coração
Minha respiração muda,
a tua também...
e o silêncio entre nós
fica perigosamente íntimo.
Quando eu te abraço,
tenho vontade de ficar,
de sentir teu corpo junto ao meu,
como se o mundo pudesse esperar
enquanto nossas vontades
se reconhecem no escuro.
E há abraços
que não terminam nos braços —
ficam na pele,
na boca,
na memória...
ardendo baixinho
muito depois que os corpos se soltam.