Eu cansei de ser forte a semana inteira,
De sorrir pra disfarçar a dor verdadeira...
Carregando nas costas o peso do mundo,
Escondendo no peito um corte profundo.
Eu enfrento a rotina, o cansaço da rua,
Essa noite pesada que o frio acentua...
Lavo o rosto com o pranto que a mente derrama,
E recolho os pedaços na beira da cama.
Entreguei meus abraços pra quem não valia,
Transformou em rotina a minha agonia...
Mas a mesa do tempo arrumou o espaço,
E mostrou o tamanho do seu descompasso.
Minha coroa de vidro caiu na calçada,
Não vou ser mais musa de história inventada...
Caminhei sobre as tábuas da minha verdade,
E troquei a ilusão pela minha liberdade.
Quem foi inteira não cabe em metade,
Descobri que a ausência também é saudade...
Não vou chorar por quem não soube me cuidar,
Se o amor foi embora, eu aprendo a me amar.
Deixei a armadura e o medo no chão,
Eu sou a dona do meu coração.
O batom que era forte eu passo de novo,
Não quero o aplauso ou o julgamento do povo...
Abri as janelas pra noite entrar,
Deixando a ferida enfim respirar.
Botei mais pó de café na garrafa,
Olhei pro espelho e a angústia abafa...
Tracei meu destino em linha perfeita,
A mesa que era vazia hoje aceita.
Nesse mundo de poses, de pressa e vaidade,
Achei o meu cais na minha dignidade...
A grande tempestade da mente sumiu,
Quando a alma sozinha pro mundo sorriu.
Quem foi inteira não cabe em metade,
Descobri que a ausência também é saudade...
Não vou chorar por quem não soube me cuidar,
Se o amor foi embora, eu aprendo a me amar.
Deixei a armadura e o medo no chão,
Eu sou a dona do meu coração.
Eu fico...Mais forte do que antes...
Eu fico...Dona do meu instante.
Geremias
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Esta obra é uma crônica poética em primeira pessoa sobre a exaustão da rotina, o peso invisível de se manter forte o tempo todo e, acima de tudo, sobre o doloroso e belo processo de dar a volta por cima.
Dedico estes versos a todas as mulheres batalhadoras que enfrentam o cansaço do dia a sol, mas que encontram na própria dignidade o caminho para reconstruir o próprio coração.
Escrita com a alma e com a simplicidade da vida real.
— Geremias Aparecido Bom Sucesso (Joanópolis - SP)