Alentejana e filha bastarda
Abençoada e, quem sabe, amaldiçoada
Por sentir demais
Rainha do mundo infinito
Mergulhaste no abismo em vez de o contemplar
Foste a dor em vez de falares apenas sobre ela
Mostraste a força da tua vulnerabilidade e voz
Desafiaste as mentes tacanhas
Enfrentaste a inveja e o desdém
Mantiveste sempre o orgulho
Nesta pátria imperfeita
À beira-mar plantada
A tragédia levou-te cedo demais
Romântica, intensa e angustiada
Amaste sem suavidade
Deixaste um rasto de glória
No caminho para a imortalidade
E a tua poesia viverá para sempre no meu coração
Obrigado por tudo, Florbela Espanca.
18 de Setembro de 2026