Poemas : 

Flor Bela Lobo

 
Alentejana e filha bastarda
Abençoada e, quem sabe, amaldiçoada
Por sentir demais

Rainha do mundo infinito
Mergulhaste no abismo em vez de o contemplar
Foste a dor em vez de falares apenas sobre ela

Mostraste a força da tua vulnerabilidade e voz
Desafiaste as mentes tacanhas
Enfrentaste a inveja e o desdém

Mantiveste sempre o orgulho
Nesta pátria imperfeita
À beira-mar plantada

A tragédia levou-te cedo demais
Romântica, intensa e angustiada
Amaste sem suavidade

Deixaste um rasto de glória
No caminho para a imortalidade
E a tua poesia viverá para sempre no meu coração

Obrigado por tudo, Florbela Espanca.


David Mendes

Em memória de Florbela d'Alma da Conceição Espanca
 
Autor
DCM_1978
Autor
 
Texto
Data
Leituras
296
Favoritos
1
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
19 pontos
5
3
1
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
klopes
Publicado: 18/09/2026 22:02  Atualizado: 18/09/2026 22:02
Super Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 135
 Re: Flor Bela Lobo
Caro David Mendes,

Fiquei profundamente tocado pela dedicatória à nossa querida poetisa — de Flor Bela Lobo à imortal Florbela d'Alma da Conceição Espanca. Recordo-me de, ainda no ensino básico e sem alcançar a verdadeira dimensão da poesia, ter lido «Rústica» e outros sonetos e ter ficado absolutamente extasiado. Atualmente, em cada homenagem, em cada leitura, compreendo finalmente o porquê desse encanto.

Abraço,


Enviado por Tópico
klopes
Publicado: 19/09/2026 21:33  Atualizado: 19/09/2026 21:33
Super Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 135
 Re: Flor Bela Lobo
.

Para mim, na vastidão do Alentejo há um silêncio imenso que só uma voz conseguiu traduzir em fogo.

Florbela fez do calor da terra a matéria-prima da sua própria alma. Cada poema, cada estrofe, cada suspiro tornado fogueira. São os pequenos relâmpagos do seu génio que me fazem sentir a urze a arder e o horizonte a clamar por redenção.

Na dor contorcida de “Árvores do Alentejo”:

“Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!”

E na quietude hipnótica de “Minha Terra”:

“Minha terra de tardes sem uma asa,
Sem um bater de folha... a dormitar...
Meu anel de rubis a flamejar,
Minha terra mourisca a arder em brasa!”

Não leio a sua poesia apenas com os olhos; guardo-a como um segredo precioso na memória do coração, onde continua, eterna e deslumbrante, a arder em brasa…

Enviado por Tópico
FragmentosdeSonhos
Publicado: 22/09/2026 13:35  Atualizado: 22/09/2026 13:35
Da casa!
Usuário desde: 03/07/2025
Localidade:
Mensagens: 395
Online!
 Re: Flor Bela Lobo
.
Parabéns
Linda homenagem...

Links patrocinados