ainda não estou pronto
acordei emaranhado num sobressalto
poema desgrenhado em linhas encarquilhadas
já tentei alisar as letras, desfrisar as palavras
mas o espelho diz-me coisas estúpidas
chamo o ferro de engomar teimoso
preponderante a calafetar
e a disfarçar vincos no papel
mas, como sempre, amarelou
e o espelho...
maldito reprodutor de coisas sérias
agora diz coisas horrendas
mas não me importo, o amarelo sabe a maduro tinta
artista pobre
não ganha para ir ao palavreireiro
e o despenteado é honesto
21-09-2026