Vou me deitar no colo desta poesia,
como quem procura abrigo do frio,
e deixar que estes versos, em doce melodia,
afaguem as feridas do meu grito
e aqueçam meu lado sombrio.
Que ela acaricie meus cabelos lentamente,
desate os nós que o tempo deixou
e beije meus pensamentos suavemente,
como faz o colibri com a flor que desabrochou.
Não quero perguntas, nem respostas,
apenas um silêncio que saiba me acolher,
que recolha minhas dores mais secretas
e me ensine, pouco a pouco, a renascer.
E, quando a noite chegar, quero adormecer
nos braços desta poesia,
olhando para o céu que borda estrelas
e vendo uma estrela cadente cruzar o espaço,
à espera de um pedido meu.
Pois há momentos em que a alma não quer o mundo nem pedir algo,
nem mesmo a pressa de voltar a sorrir…
Quer apenas um colo feito de versos,
onde possa descansar e simplesmente existir.
(Poesia é meu outro mundo paralelo.)