não começa a peça de teatro
após a morte do artista
descansa no céu triste
do estrado de madeira onde representa agora
só os passos perdidos pelo senhor do tempo
de algibeira rota
vamos vamos!
o director apressado para a companhia desfeita
que se faz tarde
pressa para a noite que não vem mais
agora sem a figura deposta
juro que te hei de inventar
na manhã dispersa de pássaros desafinados
(escasseia a organização)
juro que virás na forma consumada de borboleta
não obstante os círculos negros das asas regressados da guerra.
ouçam, ouçam, foram-se os aviões
voltou o director
recomecemos como nunca tivéssemos interrompido
a cena montada, a cortina pronta a subir
e no centro, eminente sob o potente foco de luz
um cadáver recita um poema na língua dos mortos