Hoje eu me ausento
sem me despedir.
Deixo apenas
uma sombra na margem,
uma vírgula
que antecede o nada.
Um eco entre as páginas,
silêncio onde antes
havia presença.
Aqui ficaram palavras
que o tempo não soube apagar,
olhares que nunca tiveram rosto
e encontros suspensos
no avesso da distância.
Agora fecho a página
sem que ela faça ruído.
Talvez o lugar permaneça,
mas algo de mim
já atravessou
o último instante.
E quando os versos se calarem,
não será o fim —
será apenas
a ausência aprendendo
a existir sem nome.
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A poesia nos dissolve.
No silêncio, esperamos a inspiração.
Então, do vazio,
a vida renasce.
Hondy