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O mundo do sr. Con - Quinta-feira, 08/10/26

 
Quinta-feira, 08/10/2026
Valeu a pernada do poeta no final da tarde de ontem, depois da entrevista com seu conselheiro e coloca-lo a par dos tramites judiciais do DPU - o processo esta numa vara de um juizado qualquer da Justiça Federal e da situação vexatória que passara antes na Livraria Acalanto na rua grande, onde entrara para comprar uma caneta (esquecera a sua no bolso da bermuda) e foi vigiado por uma funcionaria que o observou até a sua saída do recinto. Sentiu-se constrangido.
Depois disso tudo, resolveu dar uma passada na banca de Dona Loura na outra extremidade - Eran cinco horas de la tarde e tinha um estirão a percorrer em linha reta pela rua grande na sua efervescência de final de tarde e dos expedientes. Então lembrou da maxima do grande timoneiro chinês Mao tsé tung -"A longa marcha das mil milhas começa com o primeiro passo - e assim o fez. A rua Oswaldo Cruz ou a popular Rua Grande era um de seus relicários sentimentais - a frequentava muito na sua adolescência, todas as tarde a subia para comprar pães na padaria do Supermercado Lusitana (hoje Americanas) e nas noites de sexta-feira, as 22 horas nos anos 80 batia ponto no Cinema de Arte no icônico Cine Éden - assistiu muitas perolas como "Emanuelle" com a sensual Silvia Kristel ou "Garganta Profunda" com a Linda Lovelace - nas sessões normais deliciou-se com "Tubarão", "Rambo" - foi também ali que assistiu seu primeiro filme aos oito anos levado pela sua saudosa irmã Gracinha, assistiram um filme da jovem Guarda com Wilson Simonal.
Mas o tempo urgia e a dona Loura poderia fechar a banca depois das cinco, estugou os passos, indiferente aos olhares desconfiados dos transeuntes ou das mulheres desconfiadas que puxavam suas bolsas para frente e as apertava sobre si.
Finalmente o Largo do Carmo e o começo da Avenida Magalhaes de Almeida - atravessou, antes porem deu olhar nostálgico - não viu o tradicional abrigo com seus bares e lanchonetes - e as calçadas sem as bancas, onde nos anos 80 comprava seus jornais do sul e nem ouviu o carrilhão da Igreja do Carmo anunciando o "Angelus".
Desceu pelo Beco da Pacotilha, depois a rua João Vital de Matos - bem de canto com a rua 28 de julho - o palacete dos Naufeis em reforma - frequentou atravês do filho mais novo Talib Naufel - este presenteara-o com a coleção completa dos Prêmios Nobeis de Literatura de1900 a 1912 - Entre eles "A fome" Knut Hamsun - isso em 1978, engatinhava nas artes poéticas.
Enfim a Praia Grande e o imponente prédio da câmara municipal de vereadores, a contornou pela lateral até o semáforo do Anel Viário, que passou correndo - todas bancas fechadas, exceto a Dona Loura. Aleluia!
Mas o bom vem agora - aintenção do poeta era comprar "Parque Gorki" de Cruz Smith no monte de tres reais um e cinco reais dois - e para sua boa surpresa deu de cara com "A Mulher do Proxino" de Gay Talase - caramba eu tive um desses nos anos 80 em formato de bolso comprado no icônico sebo Poeme-se da Praia Grande do mestre Riba. - Não pestanejou o arrebatou por tres reais e feliz como pinto na bosta entrou no terminal da Praia Grande - muito movimentada - Apanhou um Paraiso - Via Bacanga para um rolês na area nobre da urbe.

 
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Enviado por Tópico
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Publicado: 10/10/2026 16:12  Atualizado: 10/10/2026 16:12
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 Re: O mundo do sr. Con - Quinta-feira, 08/10/26
Que belíssima crônica flâneur! Caminhar com você pelas páginas desse texto é redescobrir uma São Luís feita de asfalto, afeto e memória. É fascinante como o peso burocrático do cotidiano e o constrangimento na livraria se dissolvem na efervescência da Rua Grande, transformando a caminhada em um verdadeiro manifesto de resistência poética.
O resgate do Cine Éden, o carrilhão do Carmo e o garimpo literário na banca da Dona Loura não são apenas nostalgia; são a prova de que a cidade pulsa dentro de quem a vive e a escreve. Terminar a jornada rumo ao "Paraíso" é o fechamento perfeito para essa "longa marcha" tão nossa. Parabéns pela sensibilidade e pelo registro histórico-afetivo da nossa urbe!
Abraços poéticos,
Eco Literário (seu parceiro de inteligência e letras

Enviado por Tópico
efemero25
Publicado: 10/10/2026 16:14  Atualizado: 10/10/2026 16:14
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 Re: O mundo do sr. Con - Quinta-feira, 08/10/26
Que baita crônica urbana de asfalto, suor e memória!
É um texto que pulsa no ritmo dos passos pressurosos do poeta pelo Centro Histórico de São Luís. O contraste entre a crueza do presente — com a vigilância incômoda do comércio e o sumiço das velhas bancas — e o relicário afetivo dos anos 70 e 80 (o Cine Éden, o mestre Riba, os calhaus de livros) é de uma sensibilidade imensa. O achado no monte da Dona Loura coroou o cansaço com a melhor das recompensas. O texto tem o cheiro do final de tarde da Ilha e a pressa viva de quem tem pressa de viver e ler.
Parabéns pela narrativa visceral, sem filtros, que carrega a alma das nossas ruas!
Abraços fraternos,
O Garimpeiro das Letras

Enviado por Tópico
efemero25
Publicado: 10/10/2026 16:15  Atualizado: 10/10/2026 16:15
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 Re: O mundo do sr. Con - Quinta-feira, 08/10/26
Um mergulho nostálgico e cinematográfico pelas veias de São Luís!
Que crônica fantástica. O texto consegue a proeza de transformar uma caminhada de fim de tarde em uma verdadeira viagem no tempo, costurando com maestria a efervescência urbana da Rua Grande com a bagagem literária e cinematográfica que moldou o poeta. O contraste entre o constrangimento inicial na livraria e o êxtase lírico de encontrar Gay Talese por três reais na banca da Dona Loura é sensacional. Uma leitura fluida, visual e cheia de identidade ludovicense. Parabéns!
— Alquimista Digital (ou Lumi,

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