Segunda-feira, 05 /01/2026
Mais morto do que vivo. Escrevo com dificuldade – as mãos tremulas e inseguras. Ontem não comi nada. Esses dias foram entregues completamente a esbornia e gastei todo recurso – a garganta inflamada, umas dores esquisitas pelo corpo todo. Porca miséria! Aquele enjoo fino no estomago vazio, ora e outra forço um vomito depois de muito engulho. O gás acabou ontem no meio da tarde, forçando a sra. Vince a fazer fogo no fogareiro para cozinhar o arroz e esquentar o café, sempre reclamando de sua má sorte. Juvan cumpriu a palavra e na tarde de sexta, eu acima das estrelas trouxe a ‘parada’ que corri literalmente para oficina experimentar – mas me compliquei todo e nem cheguei a fuma-la. As goiabas amarelas de maduras e a maioria bichadas espalhadas pelo chão encimentado do quintal, assim como as folhas mortas que caem da goiabeira derrubadas pelo vento noturno.
- E ai seu Vincent, dá para vender uma ai? – perguntou a Sra. Vince da soleira da porta da cozinha com celular no ouvido – Hum, hum.
Seu Vicente é o homem do gás. Ele que nos abastece vendendo fiado.
- Correio! – gritou o carteiro entrando no terraço.
O poeta deu pulo e foi até a janela e com alegria viu o homem de camisa amarela e calça azul.
- Meu cartão – pensou, já faz quase dois meses que ele foi pedido pelo seu agente – e correu para a exígua sala. Little Black começou a latir insistentemente, mas a pequenina abria a porta e ouviu o carteiro perguntar:
- Castro dos Anzóis?
- Sim – respondeu a pequenina.
Foi uma água fria na fervura e o poeta triste deu meia volta volver e voltou para o computador, assisti o filme “Despertar de Valerie”
A tarde assistiu uma das perolas de Raymond Chandler com o grande Robert Mitchum interpretando o icônico detetive particular Philip Marlowe em “O Último dos Valentões”.