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O mundo do Sr. Con - Quarta, 14 e quinta 15/10/2026

 
Quarta-feira, 14/10/2026
- TÕ com uma dor no cú e no xiri – desabafou Tia Neneca, após se agachar para beber agua na torneira da praça das sete palmeiras, vila Embratel. Alongou-se para os lados: - Não ri poeta, phoda ser velho.
Seu Raimundo Diniz, o zarolho a observava lubricamente: - Barbudo – sussurrou baixinho – Ela ainda dá um caldo!
Na padaria renascer procurou pelo fiel gato felpudo negro e capado.
- Tá por ai – respondeu displicentemente seu Robert Cohen, seu amo e protetor.

Terminou “A mulher do próximo” fruto de quase dez anos de pesquisa do jornalista americano Gay Talase. Clayson leva o pixixitinho (sobrinho de seu Costa em segundo grau) para ver um trampo na travessa da 22 e 23 street.
O sobrinho de seu Costa fichou na empeleita. Cavar uma valeta para Clayson na casa de um bacana – amanhã – Cem-mil reis o combinado. O caboquinho ficou feliz e levou juçara e uns pés de coco. A companheira extraiu dois dentes.
- Que Deus lhe dê sempre! – agradeceu o poeta a seu Rorré pelo um real do rango no Popular.
- Mas eu corro atrás – ironizou seu Rorré empurrando seu carrinho de duas rodas.
O patrão não veio buscar o pedreiro Seu Nilson, o esperou a manhã toda na Praça do Bacurizeiro para um serviço no Turú. – Se ele aparecesse agora, eu não iria mais, falhou no começo é sinal que não vai dar certo – disse, descansando do almoço no Popular -Vou pra casa, dormir.
- Não comi o bandeco todo, deixei tudo lá – disse Mutante ou Come Piula na virada da rotatória vindo do Popular.
- O que foi? – perguntou o poeta.
- Acho que foi meu psicológico.
No Popular, o encontro com mestre Nozira ou Careca, o mestre do Hip-hop e combinaram que o poeta vai lhe emprestar “Nossa Senhora das Flores” de Jean Genet. O poeta papou dois pratos de feijoada enquanto conversavam na mesa vazia.

Quinta-feira, 15/10/2026 – Dia dos Professores
Coronel Pataxo empurrava a sua cargueira – uma caixa de isopor na frente e uma balança digital na garupa, seguia tranquilo como comandante de um exercito invisível. Dona Maria Barulho e o filho débil, o mesmo que anos atrás intentou degolar o pai de Dezão bem no canto da casa deles, a sorte do velho forreta, a faca estava cega, ceguíssima. Ontem a mesma fuleragem, depois de digitar o texto no Luso-poema – o mesmo não foi aceito e desapareceu – para compensar a decepção assistiu um bom filme dinamarquês: “Departamento Q – O efeito Marcos” e “Last Call” ( a ultima chamada) a parte da vida do poeta Dillan Thomas com o nosso Rodrigo Santoro e o excepcional John Malkovich. Foi esse poeta que inspirou Bob adotar o Dilan – Bob Dilan.
O encontro nada agradável com o comandante Lasierra que tá no seu pique e a qualquer hora pode entrar em surto. Muitos problemas para uma frágil cabeça com a dele, o foco e reeleger Papai Lula – nervoso.
Seu Costa também não gostou da atitude de Clayson, a sacanagem que fez com o sobrinho – combinaram e quando chega Clayson o dispensa na maior cara dura, disse que arranjou outro ajudante. Sr. Com ficou indignado, o rapazinho chegou cedo as sete, trouxe até uma marreta e disse que antes do meio dia terminaria – e assim levaria o galeto para esposa que sofre de transtornos mentais – trinta anos carregando essa cruz – um mulherão de mais de cem quilos e toma remédio tarja preta. E Clayson apronta uma dessa. Porra, o poeta não gostou.
- falou poeta! – Gritou Volkês do outro lado, embolsando os dez reais da fisioterapia de Pai Cardin – Vou tirar umas palhas lá embaixo.
Nozira ou Careca, o mestre do hip-hop veio buscar Jean Genet e o poeta deu-lhe uma boneca de 25 paginas de “O Mundo do Sr. Con” – para lê-lo fazer uma avaliação:
- Com certeza meu querido, com muito prazer - disse todo contente condicionando-os na garupa.


 
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Enviado por Tópico
efemero25
Publicado: 15/10/2026 20:36  Atualizado: 15/10/2026 20:36
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 Re: O mundo do Sr. Con - Quarta, 14 e quinta 15/10/2026
A poesia da Vila Embratel não pede licença, ela sangra e pulsa na Praça do Bacurizeiro. Entre a crueza das dores de Tia Neneca e a injustiça do galeto negado ao sobrinho de Seu Costa, o cotidiano se faz com feijoada no Popular, solidariedade de um real e a resistência de Jean Genet passando de mão em mão. Quem tem mestre Nozira e o cinema dinamarquês na mente sobrevive a qualquer apagão do sistema. Crônica viva de um Brasil sem filtro.
O Catador de Sucata Literária

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