Poemas : 

Contrabando

 

ainda contrabandeio fósforos
para dentro da chuva

vício de claridade…

vi o escuro
fazer excelente propaganda
de si mesmo

não me impressiona

tenho essa mania
de amanhecer faminta

com uma parte clandestina
que lambe o sal dos desastres
e pede outra dose de mar

e se me servem a manhã
quero o sol
até a última gota

a sede desarrumada
a incerteza
da boca

à beira do toque
a eletricidade do quase

parece medo
quando chega tão perto

mas há coragem
na mão que treme

e não se retira

e uma vontade selvagem
de cometer amanhã

ainda hoje

 
Autor
Aline Lima
 
Texto
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 10/10/2026 05:20  Atualizado: 10/10/2026 05:20
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 2413
 Re: Contrabando
não sei se é da hora...

este poema é ilegal,
para se ler às escondidas
e em silêncio

à espera
que a luz, o clarão mais puro,
nos apague a retina
com uma carícia que abusa de poder

e ilumina

ainda que o obscuro, como sina, como ponto final,
seja apenas
outra questão de tempo

passa a palavra

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