O teu papá foi um menino corajoso
Superou cada cirurgia e tratamento
Sem nunca deixar de ser carinhoso
Ou sequer ficar rabugento
Como neto, ou afilhado
Foi como um bom cuidador
Esteve sempre ali ao lado
E com carinho lhes aliviar a dor
Como filho, foi exemplo de lisura
Enche-me o peito de imensa ternura
De orgulho, p'la índole e cultura
Vê-lo crescer foi uma inigualável ventura
Como pai, zeloso e carinhoso
Exigiu-se ser o melhor educador
No que te envolvia ele era minucioso
E se repreendia era forçado pelo amor
Foi um homem bom e transparente
Um neto, irmão, filho e pai exemplar
O amigo em quem se podia confiar
Brilhou entre nós qual estrela cadente
Vi esse rasto de luz no funeral
Muito além do que seria normal
Juntaram-se perto de três centenas
De seres tristes com almas plenas
Viveu pouco, mas sempre genuíno
Viveu como um autêntico corcel
Ele é como livro curto e fino
Mas merecedor do prémio Nobel
Violeta, minha princesa,
A frondosa árvore caiu
Mas deixou-nos a certeza
De que quem dela usufruiu
Recorda a glória e os atributos
Da sombra e dos seus frutos
Não sou poeta mas, quem sabe, um dia escreverei
um texto que (pela persistência e sorte) possa ser lido como poema