Quem sabe em outro dia,
quando o tempo deixa de se importar
e o silêncio aprende a ouvir.
Fomos talvez o intervalo
entre dois infinitos distraídos,
duas sombras atravessando
o mesmo vazio em direções opostas.
Havia um quase em tudo,
um vestígio de nós
na geometria dos desencontros.
E assim permanecemos:
Pedaços de uma existência sem nome,
onde o tempo esquece o presente
e a saudade é apenas
o eco daquilo que nunca fomos.
Renata Montiel