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Jorge Luis Borges : Sou
em 03/02/2013 00:45:51 (1885 leituras)
Jorge Luis Borges

Sou o que sabe não ser menos vão
Que o vão observador que frente ao mudo
Vidro do espelho segue o mais agudo
Reflexo ou o corpo do irmão.
Sou, tácitos amigos, o que sabe
Que a única vingança ou o perdão
É o esquecimento. Um deus quis dar então
Ao ódio humano essa curiosa chave.
Sou o que, apesar de tão ilustres modos
De errar, não decifrou o labirinto
Singular e plural, árduo e distinto,
Do tempo, que é de um só e é de todos.
Sou o que é ninguém, o que não foi a espada
Na guerra. Um esquecimento, um eco, um nada.

Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda"


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Enviado por Tópico
HelenDeRose
Publicado: 13/02/2013 00:32  Atualizado: 13/02/2013 00:32
Usuário desde: 06/08/2009
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 Re: Sou
Um esquecimento, um eco, uma palavra: saudade.

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