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António Gedeão : Dez reis de esperança
em 03/05/2008 20:00:00 (4907 leituras)
António Gedeão

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

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Enviado por Tópico
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Publicado: 13/05/2010 13:37  Atualizado: 13/05/2010 13:37
Da casa!
Usuário desde: 19/04/2010
Localidade: São José dos Campos-SP
Mensagens: 387
 Re: Dez reis de esperança
esse é um dos mais bonitos que já li.

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