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Contraponto

 
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Contraponto

Tristes olhos de crianças famélicas...

Aquele olhar manso das rezes...

Diamantes negros,
Pastejando sem pressa,
As narinas úmidas, pretinhas...

Narizes escorrendo misérias verdes,
Que as desnutre e consome,
Deitadas em calçadas imundas,
Cobertas de trapos desbotados...

Os pastos de esmeralda, os trieiros limpinhos,
O descanso sereno,
Sob as mangueiras copudas.
_Você já viu como elas comem as mangas?
Esticam a língua imensa,
Volteiam e revolteiam a fruta na boca,
Até largarem o caroço branquicento pelo chão...

Pobres crianças revirando lixo,
Comendo restos, disputando xepas,
Esquálidos arremedos humanos,
Fadados a multiplicar a dor,
O crime, a miséria...

Os bezerrinhos trôpegos,
Que a mãe cuidadosa lambe,
Amamenta, guia e defende dos urubus,
Dos lobos guará e dos homens...

Órfãos e abandonados,
A promíscua realidade
Que vende virgens magrinhas,
E acolhe fetos marginais e desesperançados,
Em barrigas infantis...

Olhos e dor em dois tempos:
Um olhar à memória doce,
Outro olhar ao presente infame
Dos fatos sem solução...


Ilustração: Paula Baggio
Miséria
Óleo sobre Tela
45x35


Autor
Paula Baggio
Autor Paula Baggio
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Rss do autorRss do autor
EstatísticasEstatísticas
 
Texto
Data 08/10/2008 03:23:39
Leituras 288
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 08/10/2008 07:42  Atualizado: 08/10/2008 07:42
 Re: Contraponto
Esta é uma das piores realidades que o egoísmo provoca. bjos

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 13/10/2008 22:08  Atualizado: 13/10/2008 22:08
 Re: Contraponto
Amiga Paula,

Nem sei como podemos nos fechar numa redoma
e ainda dizer: somos felizes!

Beijos

Ulysses

Enviado por Tópico
GlóriaSalles
Publicado: 25/10/2008 02:42  Atualizado: 25/10/2008 02:42
Colaborador
Usuário desde: 28/07/2008
Localidade: Flórida Pta-SP
Mensagens: 2555
 Re: Contraponto
Paula querida,
A realidade estampada na cara.
A dor e o desespero em cada esquina...
Que bom se tivessemos o poder de consertar isso.
Mas é um alerta para que façamos nossa parte.
Parabens pela ideia...


Bjos
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Enviado por Tópico
ângelaLugo
Publicado: 29/11/2008 01:33  Atualizado: 29/11/2008 01:33
Colaborador
Usuário desde: 04/09/2006
Localidade: São Paulo - Brasil
Mensagens: 14673
 Re: Contraponto p/ Paula Baggio
Paula querida

Muito bem retratato em poesia e em sua tela
um poema comovente e tão real...Infelizmente


Parabéns!

Beijinhos no coração

Enviado por Tópico
Cinderela
Publicado: 25/12/2008 23:53  Atualizado: 25/12/2008 23:53
Da casa!
Usuário desde: 03/02/2008
Localidade: Leiria
Mensagens: 288
 Re: Contraponto
Um poema que me tocou muito, não só porque últimamente tenho-me deparado com essa realidade com mais frequência que a habitual, mas também pela veracidade com que caracteriza essa dura e triste realidade contra a qual todos devemos trabalhar para combater.
Um bj,
Cinderela

Enviado por Tópico
Paula Baggio
Publicado: 12/01/2009 02:35  Atualizado: 12/01/2009 02:35
Da casa!
Usuário desde: 20/10/2007
Localidade: Franca - SP
Mensagens: 218
 Re: Contraponto
Volte sempre... muito obrigada! Abraços,Paula

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Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



guardanapos

do nosso beijo,
muralhas

do nosso amor,
migalhas

do nosso verbo,
mortalhas

dos nossos papos
poemas
em guardanapos

(Niké)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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