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"PALAVRAS MORTAS"

Tags:  poeta    inspiração    Palavra Morta    transpiração  
 
Image by KinderTrauma




PALAVRAS MORTAS



Quantas e que inspirações
Tornam um poeta genial?
Transpirações, exaustões
Até um “produto” final?

Quantas, quantas revisões
Que tolhem, colhem visões
Em dioptrias ceifadas
Para impressionar multidões?

Vezes e vezes sem dó
Está um individuo…só
Travando batalha insana
Contra a musa que o engana.

E o sono que bem cai
O léxico que se retrai
A inspiração é nula
E um homem vira mula!

Teimoso, escreve, escrevinha!
Na mesa, na escrivaninha
E se auto inflige, em torpor
Mais chibatadas de alento.

O cansaço nem se adivinha
De há tanto que instalado.
Está no seu corpo plasmado
Os sinais do anteontem.

Esgotado, cai para o lado.
Mas antes que adormeça
Corre, toma a toda a pressa
Uma qualquer transfusão.

Seja de sangue ou não
Invicto, louco, se mata!
Mais uns retoques, está quase
A parir algo para a caixa.

Mais conservante e corante
Coloca as palavras mortas
Em exposição na estante
De horrores! Arrepiante!



26 Março 2009
Por Ana C./ Sob_Versiva



Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.
*Mário Quintana*

Imagem por KinderTrauma!

Música:Um delitos, deleites, delícias... que guardo em vinil desde 1976 ! Os "Aguaviva" , no no meu album preferido " Poetas andaluces de ahora", gravado ainda no regime Franquista!
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SOB_VERSIVA
Autor SOB_VERSIVA
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Data 29/03/2009 13:31:06
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Enviado por Tópico
jessébarbosadeolivei
Publicado: 29/03/2009 14:04  Atualizado: 29/03/2009 14:04
Da casa!
Usuário desde: 14/09/2008
Localidade: SALVADOR, Bahia ---- BRASIL
Mensagens: 394
 Re: "PALAVRAS MORTAS"
gostei de sua reflexão sobre a angústia lancinante
que, as vezes, assola o processo de composição
dum poema, que acaba por torná-lo natimorto.

Enviado por Tópico
SOB_VERSIVA
Publicado: 29/03/2009 14:17  Atualizado: 29/03/2009 14:17
Super Participativo
Usuário desde: 01/02/2008
Localidade:
Mensagens: 106
 Re: "PALAVRAS MORTAS"
Obrigada, poeta jessébarbosadeoliveira...
Momentos..
De inspiração, de transpiração e quantas vezes de exaustão, já eu vi, talvez senti, porque o Poema é uma gestação de um filho com ansiedade esperado.
E nessa espera vem às vezes o exagero e o esforço extremo do próprio corpo.
Qualquer parto não é isento de dôr, de emoção,mas o filho que chega também tem que ter alma, não basta respirar!
Um forte abraço, a si poeta, pois digo-lhe que gosto dos "filhos" que gera!

Ana C.

Enviado por Tópico
Edilson José
Publicado: 29/03/2009 14:53  Atualizado: 29/03/2009 14:53
Colaborador
Usuário desde: 12/04/2008
Localidade: SP
Mensagens: 5659
 Re: "PALAVRAS MORTAS"
A grandeza do seu poema( pois para mim é imenso) está no fato da reflexão partir do próprio ato criativo e da extensão disto, que muitas vezes termina em 'PALAVRAS MORTAS", empoeiradas em qualquer estante!
Grande, grande!
Parabéns!
Edilson

Enviado por Tópico
SOB_VERSIVA
Publicado: 29/03/2009 21:50  Atualizado: 29/03/2009 21:50
Super Participativo
Usuário desde: 01/02/2008
Localidade:
Mensagens: 106
 Re: "PALAVRAS MORTAS"
Obrigada, poeta Edilson

Sou grata pelas palavras e pela análise.
De facto este poema foi feito precisamente reflectindo, a partir duma óptica exterior, cujo papel assumi nesse momento, como um alter ego que vê cruamente o que muitas vezes não vemos quando somos os protagonistas desse mesmo acto criativo.
Às vezes levamos a escrita á exaustão,e consequentemente as palavras já não fluem harmoniosamente, como deve ser num poema com identidade, inteiro, com alma.
Gostei da sua análise!
Um forte abraço deste lado virtual...
Ana

Enviado por Tópico
Henricabilio
Publicado: 04/04/2009 21:22  Atualizado: 04/04/2009 21:22
Colaborador
Usuário desde: 02/04/2009
Localidade: Caldas da Rainha - Portugal
Mensagens: 7182
 Re: "PALAVRAS MORTAS"
A estrofe inicial é o ponto de partir para um assunto pertinente que a todo o espírito poético diz respeito. A genialidade poética vem certamente de alguns lampejos de inspiração e talento e uma maior percentagem de trabalho e persistência em busca da perfeita harmonia e musicalidade. Oportunidade para conhecer as tuas palavras, um abraçooo! Abílio

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É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)


vaga-lume

... beijar-te

- era ser
pássaro azul
dedilhando ugabe

era levitar
beber das nuvens
e desfolhar os céus

era um doce caminhar
sem tocar o chão
estirpes desaguando
em aljôfar...

era dédalo a calar-me
se acontecia
cascata de sonhar-me
na boca que feliz
se fenecia

- e era livre
sendo chama
toda asas
vaga-lume
brilhante
como quem ama.

(RoqueSilveira)


Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
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Como posso explicar
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do nosso amor,
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do nosso verbo,
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dos nossos papos
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Sexto sentido

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(gera)



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Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)

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