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Poemas -> Paixão : 

Duas bocas, estão loucas, e tremem.

 
Duas bocas, estão loucas, e tremem,
As doces línguas, são moucas e gemem,
Não fogem, mas invadem, como selvagens,
Outras bocas e línguas, outras margens.

Tocam, estão nuas, sempre nuas, as duas,
Estão vivas, são dunas, são meias luas,
Independentes, impacientes, são carentes,
Protestam, atacam, mordem os presentes.

E dançam e nadam e suam, insatisfeitas,
Navegam corpos nos rios por si feitas,
Ateiam fogos, em corpos já ensopados,
E seus beijos são poemas declamados.

Poemas em versos de rosas perfumados,
Rimando nas línguas, de dois achados.

 
Autor
marcomagal
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 25/09/2006 21:42  Atualizado: 25/09/2006 21:42
 Re: Duas bocas, estão loucas, e tremem.
Poemas em versos de rosas perfumados mas que beleza rara

Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 17/07/2016 09:41  Atualizado: 17/07/2016 09:41
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 309
 Re: Duas bocas, estão loucas, e tremem.
Incrível o que dizes (só com uma língua) falando de duas línguas.
Surpreendente a perspicácia com que desenvolves os versos nesses movimentos que se sentem no poema - numa ondulação selvagem que ora invade, ora recua, ora se faz rumor, ora vibra e treme, rompendo “margens”.
“nuas, sempre nuas” se ateiam, impacientes, insatisfeitas, ardentes, protestando e atacando, mordendo ou simplesmente deslizando formando rios.
Poderias ter escrito este poema de um modo totalmente diferente e nunca seria poema ou, pelo menos, Poema. Mas ao formares estes ritmos, estas metáforas, estas afluências, conseguiste mostrar como as línguas rimam neste teu poema… sendo estas duas “meias luas” (ou duas “dunas”) verdadeiras protagonistas.